sexta-feira, 9 de março de 2012

Belas asas para um cara branco...*

Faz tempo que não escrevo nada aqui, então resolvi colocar esse texto no blog. E que na verdade é o mesmo que eu escrevi no meu outro blog que tem o link ali do lado, mas como eu sei que ninguém nem olha no link mesmo... Vamos ao post.

Quando comecei a trabalhar eu não tinha muita noção da vida. Eu tinha 15 anos incompletos (sei que era melhor dizer 14, mas sei lá, a palavra "incompletos" dá um ar de respeito pra coisa) e ainda tinha dois signos. Peixes e Virgem (sacaram?). Eu não conhecia o lado bom da vida. Eu nem me preocupava muito, pois minha vida era bem simples com gibis, bonequinhos de super-heróis, assistir tv, brincar com jog... Er, não mudou tanto assim, mas beleza. Vamos ao que interessa. Quando comecei a trabalhar, como eu não me envolvia com mulheres ainda, eu não era lá muito vaidoso ou preocupado com certos aceios. Eu tomava banho e tudo, mas não ligava para chulé ou para axilas. Isso mesmo! Nem sabia pra que servia um desodorante. Minha mãe até comprava uns "Avon" quando era criança. Um marronzinhos. Mas eu nunca gostei e nem sabia pra servia aquilo.

Com dois ou três dias de estágio, o Irã Filho (a quem devo muito do que sou profissionalmente) já me deu uma lição de vida com aquela sinceridade peculiar. Me pediu pra pegar um LP na discoteca e ficou ali perto. Quando ergui o braço pra pegar o LP, que obviamente estava no alto, ele disse: "Pára!" Fiquei parado. Estático. Esperando a bronca, pois eu já levava bronca dele umas 7 ou 8 vezes por hora e estava apenas nos primeiros dias do estágio. Ele falou: "Então é você mesmo!" Eu logo disse: "Não, não sou não. Com certeza é outro. Eu não fiz nada." Mas era eu mesmo. Ele falou: "Cara, essa asinha aí tá feia hein?" Asinha? Eu nunca tinha ouvindo tal expressão sobre o "subáco". Mas ele apontou o dedo para o local ao qual chamou de asa. Eu até percebi um certo odor. Parece que antes daquele comentário rude eu nunca percebi que e já era ruim pra mim, imagine pros outros. E aparentemente o trem era forte mesmo.

Por isso gosto de sinceridade. As vezes dói e envergonha, mas em alguns casos nos faz perceber algo que parece passar despercebido pela nossa capacidade de percepção. Gosto de sinceridade. Críticas idiotas não, mas sinceridade eu acho legal. Eu também tento ser sincero em 70% dos casos, pois mais que isso e as pessoas começariam a me chamar de Steve Jobs Pobre ou de Hitler Careca. Nada bom!

Até isso a gente tem que aprender na vida. Tem que ser sincero, mas não dá pra ser totalmente sincero. A maioria das pessoas não gosta de ouvir as verdades mais simples na cara. Mulheres especialmente. sério. Um homem chega pra outro e fala "aeee buchudo, careca, pé torto, cara de bunda e etc". Geralmente homens não se ofendem fácil. Apesar de hoje em dia com essa história de "bullying", muitos homenzinhos vão acabar crescendo traumatizados e tristes, ir a psicólogos e tudo o mais só porque foi chamado de gordinho ou de quatro-olhos. Isso era tão comum na minha infância que, desculpem é só minha opinião, eu acho o bullying uma temenda bobagem que faz as crianças irem aos psicólogos para essa profissão não acabar. Claro que estou falando apenas de palavras, não estou falando aqui de agressões físicas, estou apenas dizendo que se uma criança vai ficar traumatizada só porque foi chamada de gordinha ou de seca ou qualquer outro xingamentinho que envolva sua forma física, é porque essa criança já ia crescer traumatizada de qualquer jeito.

É a mesma coisa de quando dizem que um joguinho violento ou filmes violentos fazem alguém querer matar outras pessoas. Gente. Eu brincava de dar tiros com pequenos galhos de árvore em formato de revolvinhos e nunca tive coragem de matar ou mesmo de ver matando nem uma galinha ou um porco. Imagine uma pessoa.

E esse negócio do revolvinho de galho de árvore já demonstra que não adianta os pais não comprarem arminhas de brinquedo, pois sempre se dá um jeito. Nós brincávamos de espada também com galhos de árvores. Aliás, hoje em dia realmente é difícil brincar, pois além de psicólogos e professores não quererem que os pais deem armas de brinquedo para as crianças, também não é de bom tom sair por aí arrancando galhos de árvores... É. assim fica fácil traumatizar mesmo.

Nem vou me alongar muito sobre minhas opiniões aqui, pois senão o post não termina nunca. Mas falando em opiniões, estou pensando em criar uns vídeos para postar aqui. Será que é uma boa idéia? Que quiser opinar sobre isso pode comentar ali nos... er... comentários. Até o próximo post qualquer dia destes...

*o título do post é o mesmo título de uma música do Offspring, Pretty fly (for a white guy)**, caso alguém não tenha ligado os pontinhos... Aliás, algum de você já brincou de ligar os pontinhos?  Já? Putz, que coisa chata, como pode alguém gostar disso...
**e se alguém disser que esse título soou preconceituoso, eu só posso dizer uma coisa: "Não!" Obrigado.

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